FELIZ 2019

Em 2014, ano da reeleição da presidente Dilma Rousseff e reafirmação de sua Nova Matriz Econômica, centralizando, principalmente, num Estado de viés intervencionista a responsabilidade do crescimento do país, vozes mais sensatas já alardeavam para os desequilíbrios gerados nas contas públicas e no ambiente de negócios, que engendravam perspectivas sombrias para os anos seguintes.

 

No entanto, por mais sensatas que fossem essas vozes, não se tinha ainda uma ideia precisa da dimensão do impacto dessa conjuntura, que mergulhou o país, nos anos de 2015 e 2016, na pior crise econômica de sua história, sob a qual, tentamos relutantemente emergir em 2017 e 2018, tendo como marco zero o impeachment da algoz já citada.

 

Nesse período de cinco anos, o PIB do país encolheu 3,8%, mas nada se comparou a queda acumulada do PIB da Construção, em inacreditáveis 30%.

 

Mas, finalmente, em 2019, esse ciclo cruel está chegando ao fim. 

 

Dados mais recentes do relatório Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicaram para um crescimento de 1,7% no PIB da Construção, no comparativo acumulado ano setembro de 2019 com acumulado ano setembro de 2018, sendo possível afirmar que a vertiginosa trajetória descendente iniciada em 2014 chegará ao fim.

 

Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o PIB do setor crescerá 2% nesse ano, ainda puxado, principalmente, pelo consumo das famílias com autoconstrução e reforma, com 3%, seguido pelos serviços especializados para obras, com 2,5%; infraestrutura, com 1%, e edificações, estagnado.

 

Desmembrando cada qual, dados dessa semana da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE indicaram para um crescimento de 4,2% no volume de vendas (nominal deflacionado) do comércio de materiais de construção, e 8,1%, nominalmente (volume de vendas inflacionado), no comparativo acumulado ano outubro de 2019 com acumulado ano outubro de 2018.

 

Com isso, certamente, o comércio do setor (varejo e atacado) crescerá pelo terceiro ano consecutivo, após 9,2%, no volume de vendas e 10,1%, nominalmente, em 2017; e 3,5%, no volume de vendas e 6,5%, nominalmente, em 2018.

 

Inquestionavelmente, nos últimos três anos, incluindo o vigente, o comércio foi a tábua de salvação das indústrias de materiais de construção, principalmente quando comparado com as vendas e lançamentos de imóveis novos e as obras de infraestrutura.

 

Nesse último, segundo dados de 2018 do Tribunal de Contas da União (TCU), havia 14.403 mil obras paralisadas, com investimentos iniciais previstos da ordem de R$144 bilhões. Nada indica para alterações significativas desse quadro, já que, segundo diversas fontes especializadas consultadas, os investimentos públicos e privados em infraestrutura nesse ano ficarão abaixo de 2% do PIB, quando o recomendável seria de, aproximadamente, 4,3%.

 

Mas, por outro lado, a agenda de concessões e  privatizações do governo federal, a responsabilidade fiscal e comprometimento com a meta, entre outras medidas, atrairão, cada vez mais, investimentos externos de longo prazo. A isso se soma a postura técnica e profissional do Ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que alheio às pautas políticas radicais e de costumes que infestam outros importantes ministérios, tem mantido uma pauta consciente e segura, que tudo indica, começará a trazer resultados cada vez mais palpáveis no próximo ano.

 

Por fim, a retomada do mercado imobiliário iniciada pela cidade de São Paulo deverá se expandir para o restante do Brasil.

 

Dados do Secovi-SP indicaram para um crescimento de 47,3% nas vendas de unidades residenciais novas na Grande São Paulo (+68,7% na capital e -12,6% nas outras 38 cidades da Grande São Paulo), e 63,9% nos lançamentos (+98,1% na capital e -19,1% nas outras 38 cidades da Grande São Paulo), nos comparativos acumulado ano setembro de 2019 com acumulado ano setembro de 2018. É muito positivo também o fato de que na Grande São Paulo foram vendidas 36.133 unidades e lançadas 37.164 unidades, no mesmo período, indicando para um agressiva reposição de estoques e maior confiança na economia por parte das construtoras, conforme atesta o Índice de Confiança da FGV/IBRE, no qual a confiança do setor encontrava-se, em novembro, 4,3 pontos acima do mesmo mês de 2018.

 

Porém, dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), cuja abrangência perfaz áreas habitadas por 1/3 da população brasileira, indicaram uma reposição mais tímida: foram vendidas 94.299 unidades e lançadas 82.044 unidades no mesmo período. Mesmo assim houve crescimento de 10,1%, nas vendas de unidades residenciais novas, 17,1%, nos lançamentos, e redução de 6,1%, nos estoques, todos os dados no comparativo acumulado ano setembro de 2019 com acumulado ano setembro de 2018.

 

Para o próximo ano, o Boletim Focus do Banco Central projeta uma inflação baixa e taxa básica de juros em seu menor nível histórico, o que estimula a concessão de crédito mais barato para reforma, construção, compra de materiais de construção e aquisição de imóveis, e crescimento do PIB acima de 2,2%, o que se concretizando será a melhor perfomance desde 2013, último ano antes do início desse fatídico ciclo.

 

E, então, se 2019 foi um ano feliz para o setor, tudo indica que 2020 ainda mais o será. Mais do que votos, essa é uma realidade plausível.

 

Até o ano que vem!

 

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