UM EXÉRCITO NAS OBRAS

CONVIVENDO COM OS CONSUMIDORES

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao término do terceiro trimestre de 2019 havia 6.859 milhões de trabalhadores na atividade Construção (englobando trabalhadores formais e informais contratados para a construção e obras de edifícios, infraestrutura e serviços especializados, além de reformas, construções, manutenções recorrentes, complementações e alterações de imóveis residenciais e comerciais), sendo, aproximadamente, 89 mil trabalhadores a mais do que no mesmo período de 2018.

Se considerarmos os dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (CAGED), do Ministério da Economia, no mesmo período de 2019, havia 2.092 milhões de trabalhadores com carteira de trabalho assinada na Construção Civil, (englobando, predominantemente, trabalhadores formais contratados para a construção e obras de edifícios, infraestrutura e serviços especializados), sendo, aproximadamente, 51 mil trabalhadores a mais do que no mesmo período de 2018.

Essa diferença, entre informais e formais, de 4.767 milhões compõem um exército espalhado por obras residenciais e comerciais em todo o Brasil, cujos serviços são contratados informalmente para construções, ampliações, reformas ou reparos e manutenções, podendo ser apenas por um período do dia ou por vários meses, mas, com algo em comum: o alto poder de influência para recomendações de serviços, lojas e produtos, antes e durante a execução dessas obras.

A influência é tal, que na pesquisa Panorama das Lojas de Bairro 2019, finalizada em setembro último e que entrevistou 720 revendedores de pequeno e médio porte, divididos nas quatro mais ricas regiões do país, 43,5% disseram que mantêm caderneta de compra para os pedreiros pegarem o que precisam durante a obra.

 

Obviamente, essa é uma relação onde todos ganham: os consumidores na agilidade e no cumprimento do cronograma, os lojistas, na realização de vendas contínuas, e os próprios pedreiros, também pela agilidade, mas também, pelas condições especiais oferecidas nos acordos com cada uma dessas lojas.

Já, em relação aos proprietários (as) das obras – segundo o Painel Comportamental do Consumo de Materiais de Construção 2018, que entrevistou 900 consumidores nas quatro regiões mais ricas do Brasil, e que haviam realizado reformas/obras residenciais entre setembro de 2017 e agosto de 2018 – 69,4% contrataram pedreiros, sendo que destes que os contrataram, 66,7% disseram que eles indicaram lojas para compras, e, 89,1% disseram que eles indicaram produtos. Somente por esses dados, podemos concluir que os pedreiros possuem uma maior influência sobre os produtos do que sobre os canais de compra.

Aprofundando ainda mais essas indicações, das recomendações para os canais de compras, 30,9% foram para Lojas de Bairro (multicategorias, pequenas, médias e próximas da obra), e das recomendações para compra de produtos, 69,1% foram para materiais básicos, como podemos ver melhor no gráfico.

Frisando que não mensuramos conversão, mas sim, recomendação, de qualquer maneira, essa proximidade e convivência com os consumidores se torna ainda mais significativa devido a uma característica marcante dos brasileiros: continuam morando em seus lares durante as obras.

Na nova onda da pesquisa do Painel Comportamental do Consumo de Materiais de Construção 2019, que entrevistou 932 consumidores nas quatro maiores regiões do Brasil, e que haviam realizado reformas/obras residenciais entre outubro de 2018 e setembro de 2019, apenas 18,4% se mudaram do local durante a obra residencial.

E se, as lojas de bairro cientes dessa importância concedem crédito para os pedreiros, as indústrias, por sua vez, desenvolvem programas de relacionamento, que incluem treinamentos e benefícios diversos, a fim de se aproximarem, ainda mais, desses profissionais.

Afinal, cuidar bem desse exército pode significar uma série de conquistas nas batalhas pela preferência dos consumidores.

Tanto para os lojistas, quanto para os fabricantes