SERVIÇOS NÃO SÃO MAIS COMO ERAM ANTIGAMENTE

Que a oferta de serviços foi drasticamente impactada pelas novas tecnologias, alterando as formas de acesso e os valores envolvidos na aquisição de serviços de alimentação, transporte, estadia, domésticos, entre tantos outros, não é mais novidade para ninguém.

A questão que se coloca é como essas alterações comportamentais, inseridas dentro do conceito de economia de compartilhamento ou colaborativa, que ganharam impulso pós-crise de 2008, até mesmo como uma consequência da redução da liquidez financeira nos mercados, impactará um segmento tão dependente da mão de obra, como materiais de construção.

O fato é que a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE vem dando sinais de que, provavelmente, o volume de serviços em geral, e, aquilo que nos interessa especificamente, a aquisição de serviços prestados às famílias não voltará a crescer em 2018.

Até que ponto deve-se creditar essa relutância somente a fragilidade da conjuntura econômica, e, até que ponto deve-se creditar essa queda às mudanças de ordem estruturais é, ainda, uma incógnita.

Mas, seria uma irresponsabilidade não refletir seriamente a respeito no segmento de materiais de construção.

Segundo o IBGE, embora o volume do segmento Serviços Prestados às Famílias tenha crescido 1%, no comparativo março de 2018 com março de 2017, ainda assim, permanece negativo, em 2,4%, no comparativo primeiro trimestre de 2018 com primeiro trimestre de 2017.

Já, em relação aos subsegmentos que o compõem, Serviços de Alojamento e Alimentação cresceu 2,2%, no comparativo março de 2018 com março de 2017, mas, também, permanece negativo, no acumulado ano, em 1,7%; e Outros Serviços Prestados às Famílias decresceu 4,9%, permanecendo negativo no acumulado ano, em 6%.

Considerando apenas esses dados parciais, os números indicam para o quarto ano consecutivo de quedas, tanto no segmento, como nos subsegmentos, enquanto o comércio e a indústria, em geral, cresceram, em 2017, e fecharam o primeiro trimestre de 2018 positivos em 6,6% e 3,1%, respectivamente.

Segundo dados da pesquisa entregue em dezembro de 2015, “Dimensionamento dos gastos dos consumidores quando realizando obras residenciais”, realizada pelo DataMkt Construção e que entrevistou por telefone e presencialmente, 500 consumidores na Grande São Paulo que haviam realizado grandes reformas residenciais, nas obras hidráulicas, 46,9% dos gastos foram destinados para a contratação de executores; nas obras básicas, 46%; nas obras de pintura, 43,1%; nas obras elétricas, 41%; e, nas obras de acabamento, 39,4%; apenas considerando cinco macrocategorias, que de maneira genérica, abarcam todos os aspectos de uma reforma residencial, sendo que o percentual restante foi composto por gastos com materiais, em suas respectivas macrocategorias.

Deve-se considerar que esses dados foram declarados sem comprovação de notas fiscais, ou mesmo planilhas, logo, são percepções que se encontram no campo das estimativas, mas, mesmo assim, demonstram, contundentemente, o quanto a contratação de executores impacta nos custos de uma obra.

Considerando os gastos totais dessas cinco macrocategorias, logo, da obra inteira, a incidência dos custos com contratação de mãos de obra ficou em 42,4%.

Imaginar, criar e desenvolver sistemas tecnológicos digitais que profissionalizem e eduquem esses profissionais, facilitem o acesso dos consumidores, barateiem os custos envolvidos nessas contratações e otimizem o tempo de execução das obras, poderiam impactar positivamente as indústrias e os varejistas do setor, reduzindo os valores envolvidos nessas contratações, que, provavelmente, seriam destinados para a compra de mais e/ou melhores materiais para as obras residenciais.

Que bom que a contratação de serviços não é mais como era antigamente.

O sistema de inteligência de mercado DataMkt Construção é cogerido por Leroy Merlin, Eucatex, Pincéis Atlas, Votorantim Cimentos e Deca, empresas empenhadas em melhor entender o segmento, contribuindo também, para sua profissionalização e desenvolvimento.